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13/03/2020

Unidade penal de Rio Branco celebra a promoção de autoestima entre mulheres e trans

Com o tema “Aqui mudamos a História de Mulheres, nossa e delas”, o Centro de Referência de Custódia Provisória de Mulheres e Pessoas Transgênero de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, celebrou, nesta quinta-feira (12/03), o Dia Internacional da Mulher. O evento voltado às presas e às servidoras da unidade teve o objetivo de trabalhar a ressocialização das detentas e a autoestima de cada uma delas.

Para o diretor do Departamento Penitenciário do Paraná, Francisco Alberto Caricati, a prioridade neste momento é dar cada vez mais prioridade ao cumprimento integral da Lei de Execução Penal. Sendo assim, dentre as medidas, está a separação das unidades por perfil de preso, o que inclui a criação de mais unidades voltadas à custódia exclusiva do público feminino.

“A ideia que temos é a de extinguir, por completo, e aos poucos, as unidades de encarceramento misto. É preciso reconhecer que abrigar mulheres requer atender às suas especificidades, o que inclui especial atenção também às profissionais que atuam nesse universo”, afirmou Caricati. Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros também têm recebido especial atendimento nos últimos meses.

A coordenadora do grupo de trabalho com este grupo, Liza Marie Fortes da Silva, destacou a importância de se celebrar a data na unidade de Rio Branco do Sul. “Este evento para as presas tem o compromisso de propiciar boas experiências, de forma que internalizem vivências de cidadania, promoção da autoestima, solidariedade e percepção de possibilidade de reconstrução de suas trajetórias de vida”, afirmou.

As atividades do evento, segundo ela, foram escolhidas por ela e pela pedagoga e presidente da comissão de Política Estadual de Atenção Integral às Mulheres Privadas de Liberdade e Egressas do Sistema Penal (PEAME), Sandra Marcia Duart, justamente baseadas exatamente nestes objetivos.

“Durante o evento, as presas puderam vivenciar as técnicas milenares de meditação e a prática do Reiki, as quais levam às participantes a percepção da possibilidade de intervir no ambiente hostil e violento e revela, em instantes, que, com paz, serenidade, autoconhecimento e resignação se pode adotar comportamentos capazes de tornar a ambiência prisional harmônica e resiliente”, afirmou Liza.

Para promover a autoestima, como ocorreu em outras unidades, foi promovida uma tarde de cuidados com a beleza e os cabelos, maquiagens e design de sobrancelhas, que receberam um cuidado especial com distribuição de kits de beleza, com sabonete, lápis de boca e olho e caneta delineadora.

Toda a ação teve fundamentos nas Diretrizes Nacionais da  Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional (PNAMPE), nas políticas da PEAME e nos trabalhos dos Grupos Específicos GTT. Entre os assuntos abordados, as atividades trataram de cidadania ativa, questões da mulher no mundo de hoje, o papel relevante delas na transformação dos rumos da sociedade numa perspectiva de justiça e paz social, com empreendedorismo, autonomia e sustentabilidade. 

“A data tem o apelo histórico da luta das mulheres pela ocupação de seu devido espaço no contexto social e o evento homenageia as servidoras penais que atuam na Política Criminal e Penitenciária e que, cada vez mais, desempenham suas funções com bravura, competência e eficiência, consignando a importância do seu papel na ambiência prisional humanizada”, enalteceu Liza.

UNIDADE DE REFERÊNCIA - O Centro de Referência de Custódia Provisória de Mulheres e Pessoas Transgênero de Rio Branco do Sul foi criado em 2019, nas instalações da Cadeia Pública do município, para desenvolver a política de atenção às mulheres em prisão provisória e de pessoas transgênero, além de fomentar a pesquisa da violência nesse universo.

“Esta é a primeira unidade prisional destinada especificamente para mulheres e pessoas transgênero aqui no estado e uma das pioneiras no país”, afirmou Liza Fortes. A unidade foi abordada com apoio de órgãos da execução penal, do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e da sociedade civil e atende a parâmetros nacionais e internacionais de respeito aos direitos fundamentais.

Uma das ações desenvolvidas na unidade diz respeito ao incentivo à profissionalização do público interno, como ocorre em todo o estado. O Setor de Educação e de Tratamento Penal efetivou o levantamento do nível de escolaridade das presas, com a finalidade de elaborar um plano que permita a elas um contato com ações educativas de curto prazo, mas que as instrumentalize para participarem de projetos futuros de conclusão da Educação Básica”, destacou a coordenadora do grupo de trabalho com este grupo.
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